Mensagem do presidente

As eleições para os Corpos Sociais da Sociedade Portuguesa de Cirurgia para o biénio 2020/2022 decorreram em circunstâncias particulares devido à Pandemia da COVID 19. Tenho a honra de presidir à Direção da SPCir e, estou certo, que será uma Direção que honrará todo o passado da Sociedade, incutindo-lhe novas ideias, novos projetos, que foram divulgados no manifesto eleitoral.

Procuraremos, durante este biénio (Abril de 2020 a Março de 2022) introduzir uma visão moderna, com objetivos centrados na Formação creditada, no incentivo à investigação e publicação. A necessidade de fomentar a boa formação é um papel determinante a que a SPCir não pode ficar alheia.

À SPCir deverá caber a obrigação de aconselhar o Estado (Tutela) e a Ordem dos Médicos na organização e regulação das diversas áreas em que o Cirurgião Geral executa a sua atividade. Áreas como a Formação, articulada com o Colégio da Especialidade de Cirurgia Geral da Ordem dos Médicos, a definição do papel do Cirurgião em Urgência e Trauma, a criação da competência ou subespecialização em cirurgia de urgência, deverão continuar a ser discutidas e decididas pela SPCir, que deverá participar de forma ativa conjuntamente com a Tutela. A SPCir terá de ser interlocutor com a Tutela e com a Ordem.

A SPCir tem trabalhado desde há anos na elaboração de um calendário formativo desenhado para o Internato, mas em que os Especialistas possam ter participação (como formadores, claro, mas também como formandos). A creditação deste programa pelo Colégio da OM e pela SPCir, obriga a conteúdos atualizados. A escolha dos formadores ou entidades formadoras deverá obedecer a critérios rigorosos, em que a Direção e Capítulos da SPCir terão papel decisivo. Este programa só poderá ser concretizado com o contributo dos cirurgiões portugueses mais atualizados e dispostos a aderir a este desafio, centrando nos diversos serviços de Cirurgia Geral esta capacidade de potenciar e organizar formação. Os parâmetros da União Europeia de Médicos para Cirurgia Geral deverão ser introduzidas de forma faseada, para que aos cirurgiões portugueses possa ser facilitada a equivalência nas diversas áreas de competência. O plano formativo terá que ser construído com esse objetivo.

A decisão de se criar uma Comissão de Educação na SPCir, prevista estatutariamente, que funcionará junto da Direção e dos Capítulos, vai permitir colocar maior celeridade e abrangência na área formativa, introduzindo maior diferenciação na preparação do programa.

A Revista Portuguesa de Cirurgia vai precisar de um novo incentivo. É um problema a que esta Direção não pode ficar indiferente. As soluções preconizadas no passado recente não foram efetivas. Por esse facto, tornou-se necessário tomar decisões: a definição de um novo corpo editorial já foi decidida e o mesmo escolhido.

O Congresso Nacional de Cirurgia será mantido como a reunião magna da Cirurgia Geral. Procuraremos redefinir o seu programa, introduzindo temas importantes na prática clínica, mas também os relacionados com problemas legais e éticos, com discussão e aprovação de estudos alargados aos diversos serviços, entre outros.

A criação da Reunião Anual do Capítulo (evento científico) será um novo objetivo, onde se possa discutir temas específicos por área de patologia: organizado pelo capítulo respetivo e por uma comissão local do evento. Esta reunião seria atribuída de forma rotativa pelo norte, centro e sul, com carater anual, com escolha do centro organizador. Os constrangimentos impostos pelo deficit de sponsorização, a repetição frequente dos mesmos conteúdos e até dos mesmos palestrantes, permitiria tornar mais simples a criação de um modelo formativo nacional.

A presença da Comissão de Internos em Formação Específica nas reuniões de Direção é a garantia de que os problemas e anseios dos Internos são discutidos e tidos como importantes para a SPCir. O alojamento já criado no site da SPCir dos conteúdos específicos dos Internos é uma ferramenta importante para a obtenção desse desígnio.

A SPCir terá que ter um rumo e esta é a direção proposta. O compromisso das futuras direções com este desenho será obrigatório para que os cirurgiões portugueses se revejam nela, e nela possam solicitar apoio em prol de uma Cirurgia Geral consistente, moderna, atualizada e diferenciada.

Dr. Gil Gonçalves
Presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia