Mensagem do presidente

Prof. Dr. Eduardo Barroso

Caros colegas, membros da SPC

Quiseram vocês, os sócios da nossa Sociedade Portuguesa de Cirurgia (SPC), aceitar a proposta da anterior Direção, presidida pelo Prof. Jorge Maciel, e eleger-me como Presidente para o biénio de 2016/ 2018.

É tradição da nossa SPC que estes biénios sejam sucessivamente rotativos pelas três grandes zonas do País, o Norte, o Centro e o Sul. Como no Sul do País, incluindo Lisboa existiam mais cirurgiões seniores com capacidade e mérito para serem eleitos Presidentes, muitos dos que eu conheci acabaram por nunca ter tido essa oportunidade. Recorrendo apenas à minha memória, Rui Câmara Pestana, meu querido chefe e Pai cirúrgico não o foi, como não o foram, Cabrita Carneiro, António Galhordas, Balcão Reis, Botelho de Sousa, Horácio Flores, Borges de Almeida, Cândido da Silva, Botelho de Sousa, Diaz Gonçalves, João Pena e muitos outros. Se apenas falo do sul, região a que pertenço apenas para realçar que eu próprio tive de esperar até à última oportunidade para poder ser proposto e depois eleito, já que na próxima vez que couber à região sul escolher um presidente, já estarei reformado. E eu confesso, até pelo meu curriculum dentro da SPC, e também fora dela que gostaria de poder ser reconhecido pelos meus pares, como tendo a competência e porque não dizê-lo o prestígio necessário para poder ser proposto e depois eventualmente eleito. Outros por certo haveria, mas sinto que até eles concordaram com a minha eleição.

Sou desde sempre um defensor acérrimo, mas não fundamentalista da sub-especialização na Cirurgia Geral, sobretudo em algumas áreas onde a nossa dimensão de País, não permite a existência de muitos casos de determinadas doenças mais raras e, posteriormente um ainda maior defensor da necessidade para determinadas doenças ditas cirúrgicas, sobretudo oncológicas, de abordagens multidisciplinares imprescindíveis.

Vi com enorme prazer e grande esperança, o aparecimento do conceito de Cirurgia de Precisão, que contempla neste novo paradigma, e para muitas áreas da chamada cirurgia geral, aquilo para que forçosamente a nossa querida especialidade tem de caminhar.

A época do cirurgião isolado, que tudo faz e quer fazer bem, independentemente das suas qualidades técnicas e científicas, acabou. Os nossos doentes exigem hoje, felizmente, oportunidades máximas de sobrevivência e qualidade de vida a curto, médio e longo prazo. E nós cirurgiões temos a obrigação de lutar por criar as condições técnicas, infraestruturais, funcionais e humanas, nos nossos hospitais, que possam dar aos nossos doentes os melhores tratamentos.

Quero agradecer a todos os colegas que permitiram ser eu o vosso Presidente nos próximos dois anos. Agradecer também aqueles que comigo foram eleitos para, em conjunto, tentarmos fazer, pelo menos tão bem os que nos precederam fizeram. Espero que entendam e compreendam que elegeram alguém, que se sub especializou em três ou quatro áreas dentro da Cirurgia Geral, que apesar de tentar não as privilegiar, até pela importância que todas as outras áreas têm, sobretudo na formação dos mais novos, pode haver aqui e ali, um chamar da atenção para algumas áreas que a cirurgia geral tem desvalorizado e que eu entendo serem fundamentais manter na nossa esfera de ação, como sejam a transplantação de órgãos abdominais, desde a vertente da colheita até á implantação dos mesmos.

A formação dos jovens cirurgiões, a importância dos Centros de referência, a Cirurgia de Precisão, e o transplante de órgãos abdominais, serão quatro dos temas fundamentais para estes dois anos de mandato. Sobre a importância que pretendo dar a estes quatro grandes temas, tentarei primeiro convencer os meus pares da direção, que ao conhecerem tão bem a minha vida profissional, a minha personalidade, e o meu curriculum dentro da SPC, certamente não estariam à espera de outra coisa. Tal como eu aceitarei de bom grado, outros temas que achemos também fundamentais para o prestígio científico da nossa SPC.

A nossa primeira reunião plenária, a realizar em Lisboa na nossa sede, foi a 28 de Maio, (um pouco tarde dado um problema clínico que me aconteceu) e dela faremos um primeiro exaustivo comunicado sobre tudo o que decidirmos. Teve uma ordem de trabalhos extensa, onde as propostas para este primeiro ano de mandato foram discutidas, pelo que haverão mudanças e novidades para breve.

Para aqueles que me conhecem pior, sobretudo para os mais novos, penso ser importante saberem o que penso das diferentes fases do prazer de ser cirurgião e da minha paixão pela cirurgia. Sempre ao serviço dos nossos doentes, mas criando condições para manter e até aumentar a nossa motivação.

Estes são temas que reputo de muito importantes. Por esse motivo foram esses temas que escolhi para a base da minha Presidencial Adress, feito em Atenas, quando era o Presidente da ESA (European Surgical Association) e publicado no Annals of Surgery em Novembro de 2014 (Annals of Surgery: 2014;260(5):717-720)http://www.medscape.com/viewarticle/836034.

É um testemunho de carreira que convido todos a ler.

Recebam um abraço grato e amigo do vosso Presidente, que tudo fará para não vos desiludir.


Prof. Dr. Eduardo Barroso
Presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia