Melhores Comunicações Orais

C084ID: 2024064 - 2016-11-19
TítuloGastrectomia Total Profilática em Portadores de Mutação Germinativa do Gene CDH1
AutoresVítor Devezas(1); Manuela Baptista(1,2); Fabiana Sousa(1); António Gouveia(1); John Preto(1); Susy Costa(1,3); Irene Gullo(4,5), Jorge Pinheiro(4); Carla Oliveira(5); Sérgio Castedo(6); José Barbosa(1); Fátima Carneiro(4,5); J. Costa Maia(1)
HospitalCentro Hospitalar de São João, EPE

Objectivo/Introdução
O carcinoma gástrico é o 5º mais comum e a 3ª causa de morte por cancro em todo o mundo. Há agregação familiar em 10%, com 1 a 3% destes devidos à Síndrome de Carcinoma Gástrico Hereditário de tipo Difuso (CGHD); atribuível às mutações germinativas no gene CDH1 (que codifica a caderina-E), com hereditariedade autossómica dominante. Os portadores destas mutações têm um risco cumulativo de cancro gástrico aos 80 anos superior a 80%. Na Síndrome de CGHD há um risco elevado de carcinoma lobular da mama (60% aos 80 anos), carcinoma colo-rectal mucinoso e lábio leporino/fenda do palato. Nos portadores assintomáticos, a gastrectomia total é uma das medidas terapêuticas/profiláticas recomendada.

Material e Métodos
Estudo retrospetivo e unicêntrico, incidindo nas famílias em risco de CGHD, através da consulta dos processos clínicos.

Resultados
Num total de 59 famílias suspeitas de CGHD, identificámos uma mutação patogénica missense no gene CDH1 em 5 famílias (total de 37 indivíduos). Faleceram 4 doentes durante a investigação; 14 optaram pela vigilância endoscópica; 14 por gastrectomia total, que decorreu sem complicações; Em 12 (85,7%) havia já adenocarcinoma gástrico difuso, com células isoladas em anel de sinete, pT1a; um sem doença neoplásica e outro aguarda a integração completa da peça cirúrgica.

Discussão
A identificação dos portadores de mutações de CGHD permite aplicar programas de rastreio e/ou intervenção terapêutica profilática, sendo a gastrectomia total uma medida com risco aceitável e benefício reconhecido.

C112ID: 1869251 - 2016-11-19
TítuloDisfunção Bioenergética Hepática na Patogénese da Toxicidade da Quimioterapia num Modelo Animal de Hepatectomia Major com Clampagem do ...
AutoresHenrique Alexandrino (1,2), João Soeiro Teodoro (3,4), João Cardoso (2), Anabela Rolo (3,4), Rui Caetano Oliveira (5), Maria Augusta Cipriano (5), José Guilherme Tralhão (1,2), Carlos Palmeira (3,4), Francisco Castro e Sousa (1,2)
HospitalCentro Hospitalar e Universitário de Coimbra, EPE

Objectivo/Introdução
A quimioterapia pré-operatória (QT) desempenha papel relevante no manejo de doentes candidatos a hepatectomia (Hp). Contudo, pode condicionar hepatotoxicidade, comprometendo a função hepatocelular pós-operatória. A função mitocondrial parece assumir papel relevante na resposta do parênquima hepático à agressão cirúrgica mas desconhece-se o seu papel na hepatoxicidade da QT.

Material e Métodos
Estudo experimental (ratos Wistar machos N=12). Administração intraperitoneal de oxaliplatina e 5-fluorouracil (grupo QT) ou veículo (grupo Ctl) durante quatro semanas. Realização de Hp 70% com clampagem do pedículo hepático (HPC). Sacrifício às 12h e colheita de: tecido hepático para estudos de bioenergética e histologia; sangue para doseamento de marcadores de disfunção hepática (bilirrubina, ALT, AST) e mitocondrial (glutamato desidrogenase GLDH).

Resultados
A Hp com HPC associou-se a compromisso da fosforilação oxidativa, em particular no grupo QT (p=0.008). Apesar de não se ter verificado maior compromisso da função hepática no grupo QT, a deterioração do potencial de membrana mitocondrial correlacionou-se de forma significativa com o valor das transaminases (p<0.05). Os níveis de GLDH mostraram correlação forte e positiva com a bilirrubina pós-operatória (p=0.005).

Discussão
Este estudo experimental sugere o interesse da disfunção bioenergética na fisiopatologia da disfunção hepática pós-operatória após exposição à QT. Esta relação merece investigação mais detalhada, sobretudo do ponto de vista mecanístico.

C211ID: 1616252 - 2016-11-20
TítuloPerfurações iatrogénicas após Colonoscopia - É viável tratamento conservador?
AutoresM. Cunha(1); J. Roseira(2); J. Melo(1); D. Veiga(1); V. Hugo(1); A. Sousa(1); H. Sousa (2); J. Rachadell (1);E. Amorim(1); M. Americano(1)
HospitalCentro Hospitalar do Algarve, EPE

Objectivo/Introdução
A colonoscopia é um instrumento essencial no diagnóstico e tratamento de patologia do cólon. A perfuração cólica é uma das complicações mais graves na colonoscopia diagnóstica e terapêutica, ocorrendo em cerca de 0,2 a 0,4% (exames diagnósticos) e 0,3 a 3 % (exames terapêuticos). A abordagem cirúrgica impõe-se em casos seleccionados em que o encerramento endoscópico não é eficaz ou exequível.

Material e Métodos
Estudo rectrospectivo, observacional, doentes com perfuração iatrogénica por colonoscopia nos últimos 3 anos e sua abordagem

Resultados
A amostra é constituída por 7 doentes, a sua maioria do sexo masculino, media de idades de 68 anos. Em 2 casos foi realizado o seu encerramento endoscópico, tendo-se optado por tratamento conservador, com sucesso. Nos restantes 5 casos foi necessária abordagem laparoscópica, com encerramento da perfuração por essa mesma via e drenagem da cavidade abdominal. A média de internamento deste grupo de doentes foi de 4,3 dias. Não há menção de complicações durante o pós operatório

Discussão
O pensamento médico-cirurgico centra-se cada vez mais no privilégio de abordagens minimamente invasivas em detrimento de métodos mais invasivos, tendo em vista a resolução da patologia/complicação sendo o doente o seu maior beneficiário. O tratamento minimamente invasivo/conservador, realizado por profissionais experientes, mostrou-se eficaz na resolução das respectivas perfurações, sendo do ponto de vista dos autores, uma opção válida na abordagem destas complicações

C393ID: 2703507 - 2016-11-20
TítuloCirurgia hepática laparoscópica – 10 anos de experiência.
AutoresJoana Figueiredo, Sofia Corado, Sofia Carrelha, Raquel Mega, Hugo Pinto Marques, João Santos Coelho, Américo Martins, Eduardo Barroso
HospitalCentro Hospitalar Lisboa Central

Objectivo/Introdução
A resseção hepática laparoscópica tem tido um crescimento progressivo e o espectro de indicações tem vindo a ser alargado, aproximando-se do das resseções por via laparotómica. Pretendemos analisar a experiência de 10 anos em cirurgia hepática laparoscópica num centro especializado.

Material e Métodos
Entre outubro de 2006 e outubro de 2016, foram propostos 136 doentes para cirurgia hepática laparoscópica (8% das cirurgias hepáticas) por carcinoma hepatocelular(20), metástases hepáticas(24), lesões sólidas benignas(61) e quistos hepáticos(31). Foram analisadas as variáveis: mediana da lesão, tempo cirúrgico, tempo de internamento, complicações, margens tumorais e sobrevida.

Resultados
Foram convertidos 8 procedimentos(5,9%) e foram realizadas por laparoscopia 97 ressecções hepáticas (entre as quais 7 hepatectomias e 26 lobectomias esquerdas) e 31 fenestrações. Nas resseções a mediana da lesão foi de 51,7mm, o tempo médio de cirurgia de 166min, a média de internamento de 5,6dias, verificaram-se complicações Clavien III-IV em 3 doentes (3%), todas as resseções foram R0 e a sobrevida aos 5 anos nas metástases é de 46,7% e no CHC de 68,7%. Nas fenestrações a mediana da lesão foi de 147mm, a média do tempo cirúrgico de 119 min e a média do internamento de 6,8dias. Não se verificou mortalidade em nenhum dos grupos.

Discussão
A cirurgia hepática laparoscópica pode ser realizada com segurança e com os benefícios inerentes à abordagem laparoscópica, em doentes selecionados e em centros de referência em cirurgia hepática.

C449ID: 3624320 - 2016-11-20
TítuloEmbolização das Veias Supra-Hepáticas: Uma lição bem aprendida
AutoresMafalda Sobral, Sílvia Gomes da Silva, Tiago Bilhim, Filipe Veloso Gomes, Élia Coimbra, Hugo Pinto Marques, Américo Martins, Eduardo Barroso
HospitalCentro Hospitalar Lisboa Central

Objectivo/Introdução
A embolização portal (EP) pré-operatória induz atrofia do lobo embolizado e regeneração compensatória do lobo contra-lateral. Porém nem sempre é suficiente para impedir a insuficiência hepática pós-operatória. Várias técnicas têm sido utilizadas com o intuito de aumentar o volume do futuro fígado remanescente (FFR) e destas, a embolização sequencial de uma ou mais veias supra-hepáticas (EVSH) após embolização portal é uma opção promissora.

Material e Métodos
Entre Abril de 2009 e Agosto de 2016, foi realizada EVSH por volume insuficiente, em 26 doentes com patologia hepática maligna, no nosso Centro.

Resultados
Foram realizados 28 procedimentos em 26 doentes e destes 25 com sucesso técnico (89,2%). Todos apresentaram hipertrofia do FFR insuficiente após EP e a EVSH foi realizada com intuito de induzir hipertrofia adicional. Foi registado um caso de complicação tardia associada ao procedimento com migração do Amplatzer para a veia cava inferior e trombose parcial da mesma (4%). O volume de fígado restante médio após EP foi de 30.9%, subindo para 39.3% após EVSH, o que traduz um aumento médio de 8.4%.

Discussão
A EVSH induz de forma segura e eficaz hipertrofia adicional do futuro fígado remanescente em doentes inicialmente considerados irressecáveis. Os autores apresentam a segunda maior série mundial no tratamento de 26 doentes com embolização sequencial da veia porta e das veias supra hepáticas. A confirmação destes resultados deve idealmente ser feita num estudo prospectivo multicêntrico.

C470ID: 2604201 - 2016-11-20
TítuloAbordagem Watch and Wait no tratamento do adenocarcinoma do recto baixo
AutoresRodrigo Oom, Rita Barroca, Luís d’Orey Manoel, Manuel Limbert, Nuno Abecasis, João Cortez Pinto, Inês Marques, João Pereira da Silva, António Dias Pereira, Ricardo Fonseca, Paula Chaves, José Venâncio, Isália Miguel, Teresa Marques, João Freire, Catarina Travancinha, Gonçalo Fernandez, Paula Pereira, Luísa Mirones, Teresa Ferreira, Isadora Rosa
HospitalInstituto Português Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, EPE

Objectivo/Introdução
A quimioradioterapia (QRT) e a cirurgia com excisão total do mesorecto fazem parte do tratamento do adenocarcinoma do recto baixo localmente avançado, contudo, esta abordagem pode estar associada a morbilidade significativa. Nos doentes com resposta clínica completa (RCC) após QRT, a abordagem Watch and Wait (WW) tem sido defendida por diferentes entidades internacionais. Esta abordagem foi incluída no protocolo do nosso Grupo Multidisciplinar em 2014. O objectivo deste trabalho é avaliar os resultados dos doentes submetidos a abordagem de WW na nossa Instituição.

Material e Métodos
Estudo retrospectivo de uma base de dados prospectiva de doentes incluídos no protocolo de WW de Junho de 2014 a Junho de 2016. Todos os doentes com adenocarcinoma do recto baixo com RRC após QRT foram submetidos a vigilância clínica, endoscópica e imagiológica protocolada.

Resultados
Durante o período do estudo, 41 doentes com adenocarcinoma do recto baixo foram avaliados pelo Grupo Multidisciplinar de Cólon e Recto e propostos para QRT com intuito curativo. 17% dos doentes tiveram RCC e foram incluídos no protocolo de WW. A mediana do tempo de seguimento foi 8 (p255-p7517) meses, sem evidência de recrescimento local.

Discussão
Doentes com RCC após terapêutica neoadjuvante para o adenocarcinoma do recto baixo podem evitar a morbilidade associada à cirurgia do recto. Os doentes submetidos à abordagem de WW devem ser vigiados por um Grupo Multidisciplinar dedicado para avaliar sistematicamente os resultados deste protocolo.

C520ID: 2993501 - 2016-11-21
TítuloTRATAMENTO CONSERVADOR DA COLECISTITE AGUDA - que resultados?
AutoresM. S. Ferreira, P. Botelho, G. Oliveira, P. Figueiredo, M. I. Alexandre, C. Luz, J.C. Santos
HospitalHospital Garcia de Orta, EPE

Objectivo/Introdução
A colecistectomia por via laparoscópica (CVL) é considerada o tratamento gold standard para a colecistite aguda. Realizada de forma precoce é eficaz, com baixa morbimortalidade e baixa taxa de conversão, permitindo uma redução do tempo de internamento e dos custos. Idade avançada, comorbilidades e risco anestésico elevado levam a que uma percentagem dos doentes seja proposta para tratamento conservador e eventual colecistectomia diferida. Os autores propõem-se a avaliar os resultados da abordagem conservadora da colecistite aguda.

Material e Métodos
Estudo retrospectivo dos doentes admitidos na nossa instituição com diagnóstico de colecistite aguda, no período de dois anos.

Resultados
Em 2 anos, foram tratados no nosso hospital 272 doentes com colecistite aguda, dos quais 191 (70%) foram submetidos a CVL precoce e 75 (28%) propostos para tratamento conservador. A taxa de falência do tratamento conservador foi de 36%. A morbilidade e mortalidade dos doentes submetidos a CVL precoce foram de 7% e 1,6%, versus 10% e 1,3% no grupo do tratamento conservador, respectivamente. Os doentes propostos para tratamento conservador caracterizam-se por superior mediana de idades, maior gravidade e mais comorbilidades e anticoagulação.

Discussão
Apesar do perfil de morbimortalidade do tratamento conservador ser adequado, uma elevada percentagem apresenta falência desta abordagem. Na nossa instituição, a maioria dos doentes com colecistite aguda são propostos para o tratamento gold standard.

C551ID: 2137917 - 2016-11-21
TítuloImpacto da laqueação da artéria esplénica após hepatectomia major na função, regeneração e viabilidade
AutoresJorge Carrapita(1,2), Ana Margarida Abrantes (3,4,5), Sofia Campelos (6), Ana Cristina Gonçalves (4,5,7), Dulce Cardoso (8), Ana Bela Sarmento-Ribeiro (4,5,7,9), Clara Rocha (10,11), Jorge Nunes Santos (2), Maria Filomena Botelho (3,4,5), José Guilherme Tralhão (3,4,5,12), Olivier Farges (13), Jorge Maciel Barbosa (1,14)
HospitalCentro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE - Unidade II

Objectivo/Introdução
Tem sido descrito que a modulação da pressão venosa portal (MVP) previne o síndrome “small-for-size” e a falência hepática após hepatectomia major (HM). Objetivo: investigar o impacto da MVP através da laqueação da artéria esplénica (LAE) após HM no modelo murino (MM).

Material e Métodos
48 ratos wistar (machos, 2 meses) foram sujeitos a hepatectomia 85% (Hx) com ou sem laqueação da artéria esplénica associada (Hx+LAE). No pós-operatório, em ambos os grupos, foram avaliadas às 24, 48, 72 e 120h: função hepática, regeneração hepatocelular (RH) e viabilidade. Para comparação Hx/Hx+LAE efetuados testes Mann-Whitney/T-st ind e Kruskal–Wallis para alterações ao longo do tempo (p<0.05; Correção Bonferroni nas comparações múltiplas)

Resultados
LAE incrementa a viabilidade hepatocitária às 24h, induz relativo decréscimo do stress oxidativo nas primeiras 48h, promove capacidade antioxidante a partir das 24h, acarreta um ligeiro défice temporário da função excretória nas primeiras 72 horas e aumenta o índice mitótico entre as 48 e 72 h.

Discussão
A HM associada à LAE, no MM, permite a MVP, promovendo um aumento da viabilidade e RH, sem comprometer a função, ao induzir um stress oxidativo menos expressivo nas primeiras 48h.